17 de jul. de 2011

Histórias que minha mãe contou


Minha mãe contava que havia uma menina na escola onde ela estudou que era muito bonita e por isto muito perseguida. Um dia ela escreveu a seguinte frase na lousa
- Este é o preço que pago pela minha beleza.
Uma outra levava uma barra enorme de chocolate para comer de lanche. Comia quase tudo e quando enjoava é que servia para as amigas.
Um mendigo  faminto recebeu um prato de qualhada com mel e pão para comer .  Ao terminar agradeceu muito e foi embora.
Passado algum tempo ele voltou novamente àquela casa e pediu para raspar com um pedaço de pão o restinho que tinha ficado no prato.

Minha vó dizia para minha mãe:
- Filha , não peça nada para as vizinhas.
-  Se não tiver cebola, faça sem cebola.
- Se não tiver alho, faça sem alho.

Minha mãe dizia que quando uma galinha bicava a cabeça de outra vinham um monte de galinhas e bicavam também a cabeça da mesma galinha.

Uma senhora fritava bolinhos e os colocava na janela para esfriarem.
Um pedinte passando por ali , ao ver os bolinhos bateu à porta e pediu um.
a senhora pediu para ele esperar que ela fritaria um para ele.
Ele ficou esperando.
Então , a senhora colocou menos massa para fritar.  mas, o bolinho ficou maior que os primeiros , e ela  novamente pegou menos massa, e  o bolinho do pobre crescia muito.
E quanto menos massa ela colocava mais a massa crescia.
Assim, ela procedeu por muito tempo.
Mas, o mendigo se cansou e foi embora.
Quando a senhora deu por conta pegou um prato cheio de bolinhos e saiu correndo atras do pobre.
Mas ela não o encontrou.
Era tarde.
E voltou para casa muito triste.

Minha vó contava:
Um mendigo vivia pedindo esmolas em frente a uma igreja .
Ele passava o dia sentado em cima de um saco duro.
E, assim passaram muitos anos.
Quando ele morreu , foram ver o que tinha dentro do saco e era um tesouro muito valioso,  muitas moedas de ouro.
Ele era muito rico, mas, viveu como pobre,  não aproveitou nada de sua riqueza..

Minha tia Aracy falava que se alguém não perdoar seu próximo não pode rezar o pai-nosso.

Minha mãe dizia que a única vantagem de se morar sozinha era ir ao banheiro de porta aberta.

Minha mãe  lia o livro “ Autobiografia de um IOGUE Contemporâneo” -  Paramahansa Yogananda  e me contava as historias nele contidas .
É uma lembrança muito doce que eu tenho dela , nós duas deitadas na cama e ela contando histórias.
Iride

História da nossa Bíblia
Um seminarista bateu na nossa porta e ofereceu uma Bíblia para minha mãe que respondeu não estar interessada .
Ele então ficou muito decepcionado , revoltado , parecia que esta era a milésima casa que oferecia sua Bíblia e também parecia estar muito necessitado do dinheiro.
Saiu apressado.
Minha mãe então percebendo seu desespero foi correndo ao seu encontro e lhe deu o dinheiro que pedia.  Esta Bíblia está até hoje em nossa casa.

Um homem caiu em um abismo profundo e lá apareceu um gênio que lhe concedeu três desejos.
Ele mais do que depressa pediu em primeiro lugar vingança para aquele que o tinha deixado naquela situação ; pediu também muita riqueza  e por último pediu um palácio.
Terminado seus pedidos ele permaneceu onde estava porque se esqueceu de pedir para sair do buraco.
( autoria desconhecida)

Um casal tinha um filho chamado Aroldo e um dia confabularam como iriam fazer para que ele tivesse estudo.
O pai disse:  -  Eu vou parar de fumar;
A mãe disse:  -  Eu vou parar de tomar chá.
E,  assim foram economizando dinheiro e mandaram o filho estudar fora.
Um dia com muitas saudades do filho o velho pegou a carroça e foi até onde estava o já enato rapaz.
Lá chegando ao ver de longe o filho foi gritando:
- Aroldo !     Aroldo !                        
Mas,  o filho  no meio de outros colegas  ficou envergonhado de reconhecer o pai respondeu:
-          Sai pra lá velho, eu não te conheço.
E o pai voltou para casa.
Sua esposa enato perguntou:
-          Como está nosso menino, você o encontrou?
-          Sim, minha velha, ele está muito bonito.
E, virando a cabeça, morreu.
Minha mãe contava que minha vó sempre cumprimentava as pessoas na rua dizendo bom dia  abaixando a cabeça como os orientais. mas, como alguns não respondecem   ela perguntou um dia:
-  Mãe, porque a senhora continua cumprimentando as pessoas que não respondem a seu bom dia.
E ela respondeu:
-  Não tem importância  filha, nós cumprimentamos Deus.
          
Minha mãe dizia que quando recebemos visita. Fazemos tudo o que podemos por ela. Bem na hora dela ir embora dizemos alguma coisa que estraga tudo o que fizemos antes.